segunda-feira, 28 de maio de 2012

Divulgação de Evento - GIRN


Essa postagem é dedicada a divulgação do V Congresso Internacional do GIRN (Grupo Internacional de Investigações sobre Nietzsche) que irá acontecer nos dias 21-23 de Junho em Lisboa.

Lembrando que o professor Rubira fará parte do Ateliê da Sexta-Feira à tarde(15 às 16h30): a possibilidade de um ascetismo prático.

Basta clicar nas palavras destacadas e uma nova página com todas as informações será aberta.

sábado, 26 de maio de 2012

Depoimentos - Grupo de Estudos Nietzsche


Trago com essa postagem a trigésima edição dos Cadernos Nietzsche, onde podemos encontrar os depoimentos dos membros do Grupo de Estudos Nietzsche - GEN

Basta clicar na palavra destacada e boa leitura!

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Divulgação de Evento - UFMG

 I Congresso Internacional Nietzsche e a Tradição Filosófica realizado na UFMG


Nietzsche e a Tradição Kantiana

02 a 06 de Outubro


Este pretende ser o primeiro de uma série de congressos internacionais dedicados a discutir a relação de Nietzsche com uma variedade de escolas e tradições filosóficas do Ocidente. Trata-se de um projeto acadêmico concebido pelo GruNie (Grupo Nietzsche da UFMG). O tema da primeira edição será Nietzsche e a Tradição Kantiana. Este tema inclui não apenas as diferentes facetas da recepção de temas kantianos por Nietzsche (aceitação, assimilação, recusa e reformulação de teses reconhecidamente kantianas nos terrenos da metafísica, epistemologia, moral e estética), como também o papel desempenhado neste processo por diversos autores pertencentes à filosofia alemã da segunda metade do século XIX (tais como Schopenhauer, F. A. Lange, Afrikan Spir, Otto Liebmann, Otto Caspari, Gustav Teichmüller e Hermann von Helmholtz); e, finalmente, uma apreciação da relevância das críticas de Nietzsche a certos aspectos da filosofia kantiana à luz de releituras contemporâneas do kantismo.

Organização Grupo Nietzsche da UFMG
Comissão Organizadora:
Prof. Dr. Rogério Lopes (Filosofia/UFMG)
Profa. Dra. Giorgia Cecchinato (Filosofia/UFMG)
Profa. Dra. Cíntia Vieira (Filosofia/UFOP)
Prof. Dr. Bruno Guimarães (Filosofia/UFOP)
participantes Palestrantes confirmados:
Tom Bailey
(John Cabot University/Itália)

Peter Bornedal 
(American University of Beirut/Líbano)

Maria João Branco 
(Universidade Nova de Lisboa/Portugal)
Marco Brusotti 
(Università degli Studi di Lecce/Itália)
João Constâncio 
(Universidade Nova de Lisboa/Portugal)

Michael S. Green
(William & Mary School of Law/EUA)

Oswaldo Giacóia Júnior
(Unicamp/Brasil)
Helmut Heit 
(TU-Berlin/Alemanha) 

Beatrix Himmelmann 
(University of Tromsø, Noruega)
André Itaparica 
(UFRB/Brasil)

(Zeljko Loparic)
(PUC-PR/Brasil)

Luca Lupo 
(Università dela Calabria/Italy)

Scarlett Marton 
(USP/Brasil)
Antônio Edmilson Paschoal

(PUC-PR/Brazil)

Mattia Riccardi 
(Universidade do Porto/Portugal) 

Herman Siemens 
(Leiden University/Holanda)
Paul van Tongeren
(Nijmegen University/Holanda)


Apoio
Programa de Pós-graduação em Filosofia da UFMG
Programa de Pós-graduação em Estética e Filosofia da Arte da UFOP
Departamento de Filosofia da UFMG
Departamento de Filosofia da UFOP
instituição Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas/UFMG & Instituto de Filosofia, Artes e Cultura/UFOP

Inscrições

Inscrições para participação como ouvinte podem ser feitas até 25 de setembro de 2012 taxa de inscrição: R$ 20,00 (Estudantes de Graduação) R$ 50,00 (Estudantes da Pós-graduação) R$ 150,00 (Professores, pesquisadores e demais membros da comunidade).

Submissões até o dia 15 de junho de 2012.


Normas

A Comissão Organizadora estará recebendo submissões de trabalho para apresentação de comunicações de 30 minutos (incluindo o tempo de discussão) em sessões paralelas. Propostas para comunicação devem ser enviadas na forma de um resumo com no máximo 400 palavras até o dia 15 de junho de 2012, juntamente com um pequeno CV (não mais que uma página) via e-mail para o seguinte endereço: nietzscheandkantufmg2012@gmail.com (Rogério Lopes/Giorgia Cecchinato). Favor usar o seguinte título para a mensagem: Submissão – Congresso Nietzsche e a Tradição Kantiana. As propostas podem ser apresentadas em português, inglês e espanhol. A seleção das propostas de comunicação pela Comissão Científica deverá ocorrer até o dia 10 de julho de 2012.


Local

Auditório Sônia Viegas, FAFICH/UFMG & UFOP (auditório a ser confirmado)

Endereço: Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas Av. Antônio Carlos, 6627, Cidade Universitária 4o. andar. Belo Horizonte - MG CEP - 31270-901 & Instituto de Filosofia, Artes e Cultura (IFAC) - Rua Coronel Alves, 55. Ouro Preto


Contato

 nietzscheandkantufmg2012@gmail.com
(Rogério Lopes/Giorgia Cecchinato)


Site

terça-feira, 22 de maio de 2012

La Rochefoulcauld e a influência em Nietzsche


Breve introdução
Autor: Wagner França

No final do primeiro período filosófico de Nietzsche, o filosofo alemão entra em contato com alguns pensadores franceses: os assim chamados moralistas franceses por intermédio de seu amigo Paul Rée. Tais pensadores, sobretudo do século XVII e XVIII, possuem uma maneira distinta tanto em pensar o homem, como possuem uma forma peculiar de escrita; dada quase sempre em máximas, sentenças aforismos. Os moralistas franceses caracterizam-se por serem os “primeiros psicólogos” ou os “psicólogos franceses”, como são comumente chamados. Um dos fatores que pode ter atraído a atenção de Nietzsche foi a maneira como os moralistas entendem o homem.  Sua preocupação não reside na busca por uma verdade ontológica ou algum sistema fechado conceitualmente, muito menos em prescrever normas morais ou imperativos éticos de qualquer natureza. Os moralistas estudam o homem por ele mesmo; é aquele que se põe a margem da sociedade para se tornar espectador dos outros e dele mesmo, e assim podendo pintar os seus retratos. Na França do século XVII era comum  descrever os atos de uma pessoa ou sociedade através da “pintura de retratos”, que nada mais são que a descrição de um caráter. A partir desse momento quando é fortemente influenciado pelos moralistas franceses, Nietzsche muda drasticamente o seu modo de pensar desde então, assim como sua escrita, pois seus primeiros escritos possuem a forma de discurso contínuo, como por exemplo nas obras: O Nascimento da TragédiaA Filosofia na idade trágica dos Gregos e nas Considerações Extemporâneas, Nietzsche ainda não usa de forma plena sua mais famosa forma de escrita; o aforismo. O filosofo influenciado em decorrência de tais leituras, em sua obra seguinte altera o modo como escreve, dada em aforismos, e ainda mostra mais claramente a influência no titulo da obra: Humano, Demasiado humano.
Em O Andarilho e sua Sombra, na sessão 214, da obra Humano, Demasiado Humano II, ele afirmou: “ao ler Montaigne, La Rochefoucauld, La Bruyère, Fontenelle (sobretudo o Dilogue des morts), Vauvenargues, Chanfort, estamos mais próximos da Antiguidade do que com qualquer grupo de seis autores de outros povos.”[1]
 Nietzsche, segundo tal afirmação, aproxima os moralistas dos antigos gregos (pre-socráticos) no sentido de bem serem lidos e compreendidos, pois tanto a escrita como o foco de seu pensamento possuem as mesmas características. Entretanto um desses moralistas se destaca mais no gosto de Nietzsche, a saber: La Rochefoucauld.
Talvez o mais célebre dentre os moralistas franceses seja François, Duque de La Rochefoucauld (1613-1680). Sua obra, Máximas e Reflexões, publicada anonimamente na Holanda em 1665; logo na epígrafe uma crítica às virtudes, “Não são nossas virtudes, muitas vezes, mais que vícios disfarçados.”. Esse é o foco principal da obra do moralista, onde através de varias máximas e sentenças morais mostrará os mecanismos de nossas ações. As virtudes, para o pensador francês não passam de puro egoísmo e falsidade. A sua obra tem como principal tema a denúncia do amor-próprio e das falsas virtudes. O moralista atribui ao amor-próprio um papel dominante na motivação das ações humanas, e entende o amor-próprio como extremamente interesseiro e egoísta, tal característica atribuída ao amor-próprio revela que, mesmo nossas melhores ações, aquelas ditas como altruístas, as atitudes que aparentam uma compaixão e caridade, são no fundo, apenas ações que visam a uma adulação - um lucro. O pensamento de La Rochefoucauld, em relação à moral remete a esta temática, mesmo uma ação dita como correta e boa, está necessariamente ligada a uma concepção egoísta e falsa. Todavia, para o autor das máximas, é necessária tal falsidade, pois somente assim o homem pode receber e realizar “boas” ações. Nota-se na sentença 182 essa perspectiva, onde o pensador afirma: “entram os vícios na composição das virtudes tanto quanto os venenos na composição dos remédios: é a prudência que os ajunta e tempera, utilmente empregando-os contra os males da vida.” La Rochefoucauld inaugura uma era de desconfiança sobre a moral. Para ele, nenhuma moral seja ela tanto teleológica quanto deontológica irá de forma alguma romper com o caráter falso e egoísta do homem.
Evidente é a crítica realizada pelo pensador francês acerca da moral, que quase duzentos anos depois se desdobrará no pensamento refinado de Nietzsche, sobretudo no tocante a moral, pois ambos possuem de certa forma, uma concepção que remete a uma moral instintiva e nada racional. A influência abrange também a questão psicológica existente em Nietzsche deve em grande parte as alegações feitas por La Rochefoucauld ao longo de seus escritos, bem como sua refinada capacidade em perceber os elementos por traz de nossos atos.
Em suma, neste breve texto foi apresentado de modo extremamente breve uma maneira de demonstrar a influência dos moralistas franceses, em especial La Rochefoucauld no pensamento de Nietzsche.



[1] NIETZSCHE, Friedrich. Humano, Demasiado Humano: Um Livro para Espíritos Livres (vol. II) p.259-260.


A imagem:
Retrato do moralista francês François VI, duc de la Rochefoucauld.

domingo, 20 de maio de 2012

Aforismos 215 e 221 - Livro IV

Reunião do dia 25 de Maio de 2012
 Aforismo 215 - Moral dos animais de sacrifício.
Como podemos ver anteriormente em nossas reuniões, Nietzsche parece estar atento à questão da moral do sacrifício, e para reforçar o que nosso filósofo propõe com o aforismo 215 acredito ser válido ler novamente o que ele escreve no aforismo 18, disponível aqui em nosso Blog.
Basta clicar nas palavras destacadas para mais informações.

Para compreendermos esse aforismo devemos olhar um pouco mais atentamente para o título que Nietzsche escolheu - Moral dos animais de sacrifício – e nos perguntarmos, quem são os animais?

Nosso filósofo escreve acerca de dois tipos de sacrifícios, um deles é o sacrifício religioso onde pontua: “Na verdade, vocês apenas parecem sacrificar-se: convertem-se em deuses no pensamento e fruem a si mesmos como tal.”. Apontando que a intenção que vêm antes do sacrifício religioso é em prol de uma fruição de poder, o vincular-se com Deus como algo de grade egoísmo e desonestidade, uma vez que o que se visa não é o que se propõe. “Pois, ao dedicar-se entusiasticamente a ela e sacrificar-se, fruem o inebriante pensamento da união com o poderoso, homem, ou deus, ao qual se consagram: regalam-se no sentimento do seu poder, novamente testemunhado por um sacrifício.”.

Para que possam visualizar melhor tal ideia basta nos lembrarmos da imagem que foi postada anteriormente em nosso blog intitulada como “O Êxtase de Santa Teresa”.
A outra visão que Nietzsche busca trazer a tona é a moral do sacrifício daqueles que visam à racionalidade, uma vez que é necessária uma disciplina forte para alcançar o autodomínio exigido e escreve: “Do ponto de vista dessa fruição – como lhes parece fraca e pobre a moral “egoísta” da obediência, da obrigação, da racionalidade: ela lhes desagrada, porque aí realmente tem de haver sacrifício e devoção, sem que o sacrificante se imagine transformado em deus, como imaginam.”. Essa devoção à racionalidade pode exigir uma disciplina forte e sacrifícios, porém, a pretensão aqui é outra.
E conclui com a seguinte colocação: “Em suma, vocês querem a embriaguez e a desmesura, e a moral que desprezam ergue o dedo contra a embriaguez e a desmesura – eu bem acredito que ela lhes cause mal-estar!”.

Concluindo com a percepção de que Nietzsche parece defender o autocontrole e a disciplina, o controle de si mesmo e determinação de si, que seria o oposto do que narra com a concepção de relação mística e com a embriaguez da religião, mas não se enquadra em nenhuma dessas visões, como é de sua prática, apenas narra comportamentos.

Aforismo 221 - Moralidade do sacrifício.
Quando Nietzsche escreve: “A moralidade que se mede conforme o grau de sacrifício é aquela do estágio semi-selvagem.”, ele busca apontar que a moralidade vigente que visa o sacrifício tem suas raízes no estágio semi-selvagem, ou seja, anterior à racionalidade, onde se acreditava que para se obter determinados benefícios dos deuses era necessário praticar o ato do sacrifício e do sacrificar-se. Novamente vale lembrar que já trabalhamos essa questão anteriormente em nossas reuniões e os resumos acerca da visão de Nietzsche sobre o sacrifício está disponível aqui em nosso blog.
O segundo ponto desse aforismo se dá com o debate entre impulsos e razão, também já trabalhado anteriormente em nossas reuniões, disponível no resumo do aforismo 109 onde tratamos as seis formas de combater os impulsos, aqui ele coloca: “A razão obtém, no caso, apenas uma vitória difícil e sangrenta no interior da alma, há contra-impulsos violentos a serem derrotados; sem uma espécie de crueldade, como nos sacrifícios que exigem os deuses canibais, isto não acontece.”. O que ele diz com isso é que para conseguirmos dominar tais impulsos violentos tornou-se necessário a prática de grandes sacrifícios e é exatamente aqui que nosso filósofo coloca sua crítica. O valor que se dá à dominação de determinados impulsos se mede com a quantidade ou grandiosidade de sacrifícios que fazemos em prol dele.

Leituras necessárias para reunião do dia 01 de Junho:

Aforismo 246 - Aristóteles e o casamento.
Aforismo 263 - A contradição em corpo e alma.
Aforismo 272 - A purificação da raça.