“A arte ergue a cabeça quando as religiões perdem terreno. Ela escolhe muitos sentimentos e estados de espírito gerados pela religião, toma-os ao peito e com isso torna-se mais profunda, mais plena de alma, de modo que chega a transmitir elevação e entusiasmo, algo que antes não podia fazer.”
Neste aforismo percebemos que Nietzsche aborda decididamente a transição da religião para a arte. Com o Iluminismo o sentimento lança-se para a arte, e, até mesmo na vida política e na ciência. A ilusão e a mentira da religião podem ser vistas como necessárias para que a vida se tornasse mais bela, para que esse desvio de olhar fosse proveitoso para o homem.
“Sempre se nota, nos empenhos humanos, uma coloração mais intensa e mais sombria, pode-se presumir que o temor de espíritos, aroma de incensos e sombras da Igreja ali permaneceram.”
Nietzsche aborda que mesmo com esse desvio de olhar para a arte, onde a arte pôde ganhar vida, ainda restaram as sombras da religião, e que era preciso se livrar destas sombras nesta vivificação da arte.